quinta-feira, fevereiro 7
Mais uma vez
... estou sózinha. Tenho amigos novos e velhos e ainda assim consigo estar sózinha. Dou conselhos sobre a vida de toda a gente. E tenho a mania de não contar a minha. Como sou o castelo de sempre, toda a gente se acha na obrigação de me contar os seus problemas e de partir do princípio que comigo está tudo bem.
terça-feira, fevereiro 5
Vou...
...rebentar. Ou vou implodir. Sinto-me uma casca de noz à deriva no oceano e ao sabor das tempestades. Tenho 41 anos e hoje detesto-me. Hoje detesto tudo em mim, detesto principalmente o facto de não ter nada, de não ser nada, de não ter construído nada. Detesto o facto de estar com uma depressão (e eis-me a chamar a besta pelo seu nome) e mesmo assim achar que depressão é para dondocas com dinheiro a mais e vida a menos. E eu tenho vida a mais. Quase não tenho onde cair morta e qualquer dia perco o pouco que herdei porque - voltamos ao mesmo - sou uma merda. Olha à minha volta e penso que, se desaparecer, provavelmente levarão uma semana a dar por isso, se calhar porque deixei alguma coisa desarrumada.
Preciso de ajuda, de mimos, de apoio, de abraços. Não que ninguém veja o que se está a passar e me grite, ainda por cima. E não, não tenho um problema com o álcool. Tenho um milhão de problemas, não tenho emprego, devo uma fortuna ao banco, e o álcool não me resolve a vida mas resolve-me o medo, impede-me de dar um tiro nos cornos, de pensar que sou uma merda e que se desse um tiro nos cornos resolvia o meu problema financeiro de vez.
Olho à minha volta e toda a gente tem a vida mais ou menos alinhavada menos eu. Eu não, tinha de ser diferente, tinha de ir para o fim do mundo empenhar-me até ao tutano porque era mais que os outros, aventureira e superior, e a vidinha vulgar de lineu não me servia. E agora caio na realidade e vejo que não valho um pataco, que toda a gente como sempre tinha carradas de razão e que, se tivesse tido um bocadinho de humildade, se calhar teria um presente, um futuro.
E passei metade da tarde e grande parte da noite a achar, como sempre, que tudo se vai resolver, a família vai resolver, têm dinheiro, não me vão deixar perder tudo, alguém vai resolver, vou arranjar um emprego qualquer e vou viver a minha vidinha sem percalços. Não. Não. NÃO!
Foi preciso sair de carro e cumprir as regras todas, andar a 50 e pôr o cinto, e mesmo assim levar com uma multa de 60 euros porque deitei uma beata pela janela. Logo eu, a ecologista de trazer por casa. Incrível como uma coisa tão obviamente errada me fez cair na realidade.
Dizem que todos temos um talento na vida e que a definição de felicidade é descobri-lo a tempo. Bom, parece que descobri o meu: fazer merda. E sou excelente nisso.
Preciso de ajuda, de mimos, de apoio, de abraços. Não que ninguém veja o que se está a passar e me grite, ainda por cima. E não, não tenho um problema com o álcool. Tenho um milhão de problemas, não tenho emprego, devo uma fortuna ao banco, e o álcool não me resolve a vida mas resolve-me o medo, impede-me de dar um tiro nos cornos, de pensar que sou uma merda e que se desse um tiro nos cornos resolvia o meu problema financeiro de vez.
Olho à minha volta e toda a gente tem a vida mais ou menos alinhavada menos eu. Eu não, tinha de ser diferente, tinha de ir para o fim do mundo empenhar-me até ao tutano porque era mais que os outros, aventureira e superior, e a vidinha vulgar de lineu não me servia. E agora caio na realidade e vejo que não valho um pataco, que toda a gente como sempre tinha carradas de razão e que, se tivesse tido um bocadinho de humildade, se calhar teria um presente, um futuro.
E passei metade da tarde e grande parte da noite a achar, como sempre, que tudo se vai resolver, a família vai resolver, têm dinheiro, não me vão deixar perder tudo, alguém vai resolver, vou arranjar um emprego qualquer e vou viver a minha vidinha sem percalços. Não. Não. NÃO!
Foi preciso sair de carro e cumprir as regras todas, andar a 50 e pôr o cinto, e mesmo assim levar com uma multa de 60 euros porque deitei uma beata pela janela. Logo eu, a ecologista de trazer por casa. Incrível como uma coisa tão obviamente errada me fez cair na realidade.
Dizem que todos temos um talento na vida e que a definição de felicidade é descobri-lo a tempo. Bom, parece que descobri o meu: fazer merda. E sou excelente nisso.
quarta-feira, janeiro 23
Será
... este blog o meu grito de ajuda? Não, não quero carregar dessa culpa os daqui ausentes. Decreto-o, por conseguinte, a minha terapia.
Nem me apetece
... brigar por aquilo que é meu de direito. Afundo-me na sempre contraproducente pena de mim própria. E a besta espreita-me, como sempre. Para lhe fugir, afogo as mágoas em whisky, e tenho como único e previsível resultado uma enormíssima ressaca. Que não traz nada de novo à minha vida, mas que me fornece o serão de paz e inconsciência que eu estava a precisar.
Se tivesse
... 14 anos e vivesse numa cidadezinha do interior dos Estados Unidos, poderia pegar numa caçadeira e matar, não colegas de liceu, mas 3 ou 4 pessoas que tropeçam em mim porque não me vêem, tão ocupadas estão com as suas vidinhas de merda.
A realidade
... às vezes apresenta-se tão improvável como o absurdo enredo de uma novela de televisão. Não tenho outro remédio senão transformar-me na sua protagonista.
Não penses
... em coisas feias, digo eu para mim própria, não se deve chamar a má sina com o pensamento. Não pensar, o mais importante é não pensar. Mas tenho a cabeça cheia de ideias de morte, de palavras de morte. E quero pensar na vida. Procurando, procurando sempre, mas fora de mim própria.
O mundo
... não gosta de mim. Vivo nele porque tem de ser. Sou uma cria órfã e abandonada por todos. Estou cheia de pena de mim. Cheia. A besta espreita-me a cada esquina, mas eu só choro, por enquanto. Por quanto tempo?
Elenco
A besta e eu. O coisa que não se pode mencionar que me espreita há anos. Que me cheira os calcanhares, que me persegue de noite. Com quem eu luto sem tréguas.
Aqui, vou relatar as conversas que mantemos.
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